Como saber ao certo em que idade nos auto-intitulamos protagonistas da nossa própria história? O fato é que, em algum momento de nossa juventude, provavelmente na adolescência, acreditamos que por mais cruel ou dramática que possa ser nossa vivência todo o processo servirá pra ressaltar o que temos de melhor, ou para nos conduzir a um destino especialmente criado para nós, e que certamente nos conduzirá ao final feliz.
Cada conquista nos faz sentir especialmente únicos, as idéias ainda que sejam clássicas, são originais em nosso conceito e, nos certificamos que todos à nossa volta aguardam o script para seguir o nosso roteiro. Claro que as coisas podem fugir do controle, nesse momento reconhecemos que em toda trama há o momento do conflito que é o início da grande virada para o ponto alto da história onde tudo começa a dar certo.
Em algum momento mais adiante, reconhecemos a importância dos que estiveram contracenando a maior parte do tempo e, além disso, foram colaboradores ativos de nossos projetos, mas podem ter sido a causa ou agravante de nossos maiores conflitos pessoais, esses personagens, integrantes do elenco principal denominamos como família. Classificamos também os coadjuvantes, e até mesmo personagens que podem, mais tarde, ressurgir com o elemento surpresa.
Alguns personagens podem ter saído de cena, geralmente trazem à tona recordações de momentos emocionantes e que foram subestimadas até então. Pode haver compreensão com as cobranças que ajudaram a formar sua personalidade ou uma percepção de traumas e sentimentos mal resolvidos.
Quando correspondemos às expectativas pode haver dúvida a respeito das escolhas que foram feitas, e a realização profissional é um dos principais fatores de suposições; se a escolha da profissão foi feita pela remuneração o pensamento pode girar em torno do desejo de satisfação no trabalho, e se há reconhecimento financeiro talvez não haja prazer. Em casos raros onde há a união da estabilidade financeira e satisfação pode haver uma questão existencial, a busca pelo real sentido em suas convicções, religião por exemplo, ou ainda o grande fantasma da vida social, a respeito de como interagimos; em um relacionamento conjugal às vezes há insatisfação de uma das partes, muitas vezes de ambas, e atualmente a idéia da monogamia parece ter saído de moda.
E quem pensa que esta reflexão termina com a idéia de pura insatisfação e dúvida geral do caminho traçado, engana-se. Gostaria de deixar fluir na imaginação que nesta trilogia, todos somos personagens coadjuvantes, onde o único protagonista é o mundo em que vivemos, e se não há promessa de final feliz existe uma realidade de conquistas palpáveis e momentos que são eternizados na alma daqueles que nos acompanham nos bastidores.
Luz, câmera, ação!!
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